sexta-feira, 29 de junho de 2012

Saravá Metal! Licença!

Me lembro do meu primeiro dia de aula na disciplina "Folclore Musical Brasileiro". Unirio, 1996 (meu deus! Século passado - idoso). Iniciou-se com uma pergunta: "Se vocês fossem donos de uma loja de discos, em que categorias disponibilizariam seus produtos?". Começam a pipocar as respostas: "pop", "clássico", "rock" etc, até que alguém diz: "sacra, música religiosa". E a professora: "Sacra? Como assim? Música de umbanda, por exemplo... né?" O mal estar simbolizado por nosso silêncio cuspiu o preconceito no chão de mármore limpinho (metafórico, hein?! Por favor...). E gerou reflexão. 
A umbanda é uma religião genuinamente brasileira, que brotou de nossa terra assim como o samba ou o jeitinho. Sempre me sinto um pouco ferido em minha alma democrática, libertária e ufanista quando ouço menções pejorativas a ela. Não gosto de intolerância em geral. 
A banda carioca Gangrena Gasosa faz música que mistura elementos da macumba, death metal, humor... e sofre o preconceito também. Me recordo que a primeira vez em que ouvi falar deles foi através das páginas dos jornais - haviam sido agredidos por pessoas que se julgavam ofendidas religiosamente. O mais curioso é que não se sabia se os responsáveis eram cristãos ou umbandistas.
Certa feita, chegando na Casa de Música de Ipanema, encontro um ambiente com pessoas cantando - ou tentando cantar - "A Supervia deseja a todos uma boa viagem". Coisa que não se ouve toda hora, aquilo me despertou minha curiosidade.

Gangrena Gasosa
Abaixo segue o link para a canção "Surf Iemanjá", do disco "Smells like tenda spirita" - puro antropofagismo.
PS1: Uma boa parte de vocês não sabe o que é uma loja de discos - muitos nem uma loja de CDs -, mas elas ainda resistem por aí (como as da  galeria Vitrine da Tijuca ou a Baratos da Ribeiro em Copa, por exemplo). 
PS2: Gostaria de dedicar esse post à professora Elizabeth Travassos, que viria a ser minha orientadora de mestrado, quando estudamos o funk proibidão carioca. Atualmente ela não pode lê-lo por problemas de saúde, mas gostaria de fazer essa referência devido à grande influência que ela teve em minha maneira de ver as coisas (professores... sempre eles).





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